O Prático é aquele que não está nem aí para os porquês, ele quer apenas realizar um bom trabalho. Algumas vezes, os porquês fazem parte do bom trabalho, na maior parte do tempo, não. Esse artigo é para todos aqueles cujos olhos ardem frente às intermináveis preliminares discorridas por aqui, e que clamam pelas mãos na massa!
1. Controle: Foco, abertura, velocidade, e superfície foto sensível. Isso é a câmera fotográfica. Todo o resto são variações sobre o tema e adereços. Sua máquina é uma calculadora. Um aparelhinho serelepe que vive de controlar a quantidade de luz que incide sobre o sensor fotossensível no interior da câmara escura. Falaremos sobre controle. Sobre a influência que os dispositivos controladores presentes na câmera fotográfica exercem na qualidade da imagem capturada. Quando falamos em quantidade de luz, há três principais elementos envolvidos:
Costumava ficar a cargo de um anel, na objetiva (lentes). Hoje, a maioria das câmeras modernas conta com controle digital de abertura, no próprio corpo da máquina. (consulte o manual de instruções para saber como alterar os valores da abertura no seu equipamento). A função deste controlador é determinar qual o tamanho do orifício que permite a entrada de luz. Seus valores são conhecidos como números f.
Números f menores permitem que uma maior quantidade de luz atinja o sensor. Caso interesse, eis o porquê:
Ora, se o número f é resultado da divisão da distância focal (Distância, em milímetros, entre o plano do filme, ou sensor, e o conjunto óptico/objetiva) pelo diâmetro do orifício, quanto maior o tamanho do diâmetro deste orifício, mais luz entrará na câmera quando acionado o disparador. Se o oríficio aumenta, maior o número que dividirá o valor da distância focal, consequentemente, menor será o número f de abertura.
As lentes que possuem menores Números f são chamadas de lentes rápidas. Porque demandam menores tempos de exposição (velocidade do obturador) para registrar a cena.
Lentes com distâncias focais maiores, como as Telephoto, demandam diâmetros bem maiores para atingir determinado número f do que lentes normais ou grande angulares, portanto, aquelas a preços acessíveis são bem mais lentas. Diâmetros maiores demandam lentes maiores e mais perfeitas para evitar aberrações ópticas, e isso custa caro pra caramba.
Entenda melhor a distância focal e os primórdios da abertura aqui.
1.2 – Velocidade (do Obturador)
O obturador, ou, Shutter, fica no corpo da câmera. É este dispositivo que ao disparar cortinas (lâminas de fibra de carbono ou outros materiais) é responsável pela passagem da luz. Quando as cortinas estão abertas, a luz que vem da objetiva atinge a superfície foto sensível. Quando elas estão fechadas, a câmara escura permanece vedada. A velocidade do obturador é o intervalo de tempo que as cortinas ficam abertas, permitindo a passagem da luz. Esse tempo pode ser de frações de segundos ou até de horas (utilizando-se o controle manual de exposição).
A unidade de medida para selecionar o intervalo de disparo do obturador é o segundo (“) e suas frações. Ex: 4″ – 2″ – 1″ – 1/2″ – 1/4″ – 1/8″. No exemplo acima o valor 1, quer dizer um segundo (É o valor mais lento que pode ser selecionado na Nikon F-301). A partir daí, 2 quer dizer meio segundo, 4 quer dizer um quarto de segundo, e então, um oitavo, um quinze avos, um trinta avos, e assim por diante até atingirmos o limite de velocidade das cortinas da F-301, que é de 1/2000 avos de segundo!
“B” é o modo de disparo manual. Você aperta o botão de disparo e as cortinas se abrem. Elas continuam abertas até que você solte o botão. Para utilizar este recurso, o ideal é contar com tripé e um disparador (com ou sem fio) para evitar fotografias tremidas pela ação do dedo humano diretamente sobre o corpo da máquina enquanto esta registra a cena.
1.3 – ISO / ASA – São unidades de medida utlilizadas para representar a sensibilidade do sensor ou do filme. Um filme ISO 100 é tão sensível quanto um filme ASA 100. Números de Iso maiores, necessitam de menos luz para registrar a cena e vice e versa. Chamamos de filmes rápidos aqueles com número ISO mais elevado, porque, por exemplo, quando se dobra o valor do ISO dobra-se a sensibilidade do filme, o que significa que ele vai demandar metade da luz necessária para registrar uma cena e produzir a mesma densidade de informação na imagem capturada. Por esta razão, podemos então utilizar valores mais altos de velocidade do obturador para o registo.
2. Qualidade: Cada controlador mencionado acima implica em mudanças significativas na imagem fotografada, alterando assim a sua qualidade:
2.1 – Variação da Abertura: Variar a abertura significa permitir a passagem de mais ou menos luz através da objetiva, o que implica em aumentar ou diminuir a profundidade de campo, ou seja, a área da fotografia que está dentro de padrões aceitáveis de foco. Por exemplo, se um objeto está a três metros da câmera e um outro objeto está a quatro, e ambos estão aparentemente dentro do foco, entendemos que a profundidade de campo que a abertura utilizada proporciona é de, pelo menos, 1 metro.
Variar a profundidade de campo pode ser um recurso indispensável em algumas situações. No exemplo acima, notamos como a diminuição da profundidade de campo destaca o objeto que está em primeiro plano livrando-o da confusão do cenário em que se encontra.
2.2 – Variação da Velocidade: Variar o tempo de exposição de uma fotografia, ou, definir a velocidade do obturador, significa permitir que a luz incida durante um tempo maior ou menor sobre o sensor foto sensível ou filme. Se há movimento na cena, e se a velocidade do obturador for suficientemente baixa, veremos borrões. Isso pode ser ruim… Ou não! Este recurso pode ser utilizado para ilustrar movimento na imagem capturada.
Câmera no tripé, velocidade do obturador de cerca de 6″ segundos e uma sacada gentilmente emprestada. Obrigado Luciana e André!
2.3 – Variação do ISO: Buscar mais detalhes em cenas menos iluminadas é uma faca de dois gumes, porque números de ISO muito altos, desde o tempo dos filmes fotográficos, implicam em granulação, seja de Aletos de prata, seja, mais recentemente, de pixels.
Nas imagens acima, mantive o valor da abertura fixo para ilustrar o conceito de “ISO mais rápido”. Quando utilizei um número de ISO maior, a velocidade de obturador utilizada aumentou proporcionalmente (em 4 pontos de luz). Note que a granulação proveniente da alteração de sensibilidade aparece com mais crueldade na área escura da imagem.
3. Conclusão: Velocidade, abertura e ISO São mecanismos independentes que relacionam-se diretamente. Estes controles causam alterações na qualidade da fotografia. São recursos preciosos de expressão e instrumentos indispensáveis para construirmos uma narrativa fotográfica. Veremos na segunda parte deste artigo como é que isso tudo se relaciona a partir do sistema de pontos de luz!
Fontes: Wikipedia, Ansel Adams: A câmera. Imagens: Caio Kauffmann.






12 comments
André Machado says:
Apr 15, 2010
Cara, show de bola, sou totalmente amador no assunto, e a parte sobre a variação de abertura é bem legal, nunca tinha me ligado como fazer essas fotos focando apenas um objeto no cenário… Quando chegar em casa hoje vou dar uma brincada na minha cam e tentar fazer algo parecido!
valeu mesmo, ahhh, cheguei ao seu blog pelo megapixels_2
CaioK says:
Apr 15, 2010
Maravilha, André! Muito Obrigado pela visita! É gratificante ter este tipo de retorno! Grande Abraço e boas fotos!
Éverton Ribeiro says:
Apr 16, 2010
Muito bom o post, para mim que estou começando foi um bom pontapé. Um elogio a parte para o layout do blog, muitos do que achei de fotografia são poluídos com fontes ruins e desorganizados, se continuar assim e com o bom conteúdo vai fazer sucesso.
Ah!! Esperando a segunda parte do post
CaioK says:
Apr 16, 2010
Muito obrigado, Éverton! Quanto ao Layout, não sou programador, tão pouco webdesigner! Deu um trabalho danado me encontrar nesses códigos de html, css, selecionar plugins, etc! Pelo jeito, valeu a pena! Tudo de bom para você! Espero ver muitas fotos fantásticas de sua autoria!
Grande Abraço!
Rodrigo says:
Apr 23, 2010
pow, eu sou louco por fotografia mas não tive a oportunidade pra fazer um curso.
Pretendo fazer um curso o mais rápido possível, pois quero fotografar minhas viagens quando entrar na facul. Por enquanto eu fico lendo post como o seu, mas, diga-se de passagem, esse foi bem mais explicativo que uns que já li….
espero em breve a parte 2!
a parte ‘ foi muito bem escrita e de fácil compreensão pra quem não entede muito do assunto.
Parabéns cara!
CaioK says:
Apr 23, 2010
Muito Obrigado, Rodrigo! Volte sempre!
Jenni says:
Apr 23, 2010
Nossa, parabens!
Muito bem explicado… ótimo que estou começando ;D
Piupunk says:
Apr 23, 2010
Masssssaaa!!!
Velhinho uma pergunta…
Tenho um Nikon D60 com 18-55mm VR e gostaria de dar um upgrade, o que vc me recomenda? Trocar a D60 ou envestir em lentes?
Abracos e parabens!
CaioK says:
Apr 24, 2010
Muito Obrigado, Jenni!
Volte sempre!
CaioK says:
Apr 24, 2010
Cara, é tudo uma questão de prioridades! O que fica devendo mais no seu trabalho? Eu também possuo uma D60. No meu caso, necessito mais de uma câmera com ISO’s altos, que gere pouco ruído, cujo sensor seja maior e com funções como, por exemplo, o Auto Bracketing. Preciso disso mais do que uma boa lente no momento. Qual a finalidade das suas fotografias? Qual o suporte delas (papel? baner? internet? revista?) Qual o contexto no momento da captura das imagens? Dei uma rápida olhada no seu blog, gostei! Responda as minhas perguntas e fica mais fácil fazer uma recomendação! Estou de saída, entre em contato no contato@caiok.com e falamos melhor!
Grande Abraço!
brunopxmarques says:
Apr 24, 2010
Muito bom seu blog, gostei da materia e espero a parte 2, parabens
CaioK says:
Apr 26, 2010
Valeu Bruno!
Grande Abraço!